Vai que a moda pega

Marcas locais enaltecem o slow fashion e promovem reconexão com o público.

 Por Thabata Martin

Comprar uma peça clássica ou notória de uma grife internacional ou, ainda, renovar as peças do closet numa loja de departamentos bacana, que investe no chamado marketing-desejo, são situações que, além de arrancar suspiros de dez entre dez addicts de moda, ainda mantém sob o signo do sucesso a hashtag #lookdodia. Sim, a moda carrega consigo o poder de transmitir ao mundo nosso lifestyle, mas, atenção, nossos valores sociais também podem reverberar neste singelo ato de compartilhar suas escolhas.

Antenadas no assunto e especialistas no segmento estão arregaçando as mangas para destacar um movimento bastante inspirador e exclusivo, diga-se de passagem, sobre a oportunidade de consumir e divulgar talentos locais. Já imaginou o privilégio de tomar um café com o estilista da sua cidade, que já ganhou prêmios internacionais, teve sua marca comercializada em outros países, que vira e mexe tem peças expostas em bíblias da moda e já vestiram personalidades globais? Você pode ainda não reconhecer, mas este certamente é um luxo acessível em Curitiba.

Segundo a jornalista Daniele Brito, especialista em História da Arte, desde a década de 90, a capital paranaense faz moda e faz sucesso. “Ingressamos no cenário nacional graças ao trabalho de precursores como Roberto Arad e Jefferson Kulig – este último representante local na São Paulo Fashion Week (SPFW), maior evento do setor no Brasil”, conta.

Originalidade, qualidade, acabamento, produção ética e sustentável são alguns dos pilares  promovidos pelo slow fashion, contraponto ao consumo massivo de roupas. “O movimento slow já invadiu a gastronomia e a moda dificilmente fugirá deste momento crucial que contribui para a economia local”, relata a jornalista que comanda o quadro Moda em Pauta, que semanalmente vai ao ar pela Band News FM.  “Esta é uma espécie de retorno, de reconexão e conscientização que está ganhando corpo em todos os cantos do planeta”, assegura.

De acordo com Brito, foi com a criação de cursos superiores de moda no Paraná que muitos jovens se voltaram para este segmento. “Temos pelo menos quatro marcas (Rocio Canvas, Reptilia, H-AL e Chaouiche), com trabalhos bem consistentes, que conseguiram desenvolver um trabalho original com identidade local”, frisa.

A especialista defende que hoje temos um mercado em desenvolvimento, com marcas estruturadas que trabalham pela expansão nacional como a Lafort – que recentemente lançou coleção em Paris – além de Sandra Kanayama, Novo Louvre, Rêve, Leveza do Ser e Artha (que se especializou em noivas)”, revela.